Fantasmagórico silêncio

Bebo todo este silêncio num drink
De melancolias extensas e arbitrárias
Selando o túmulo da solidão incoercível e autoritária

Assim quase imperecível desponta a manhã
Tão hereditária embebedando a sede feroz e compulsória
Onde comprimo ínfimas estrofes quase incendiárias

Absorvo da madrugada edílicas saudades que
Ribombam na memória mais peremptória
Expondo as artérias deste desejo tão categórico

E ali se ergue então todo o silêncio quase fantasmagórico
Desfigurando meu sonho enfrascado em demasiadas e
Pletóricas nuances de uma caricia colossal, sempre eufórica

FC

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Algum dia, de alguma maneira, de alguma forma…

Prescrevi ao silêncio uma dose de ilusões
Tão multifacetadas adormecendo uma hora
Que deambula pelas solidões mais exaltadas

Algum dia implantarei no tempo esta eternidade
Encarcerada no ventre das minhas memórias
Içadas pelos desejos mais nobres e requintados

Débil esperança esta que escorrega entre muitas
Fantasias tão precárias deixando até mais vulneráveis
Estas saudades proscritas e sempre prioritárias

De alguma maneira ficaram vulneráveis todas as
Paisagens onde moraram estas pegadas de gratificação
Sempre impregnadas e nutridas de uma sumária solidão

De alguma forma espreito e nutro a penumbra onde moram
Nossas almas mais pacificadas deixando uma desperdiçada
Hora fluir nas palavras delicadas, rimando quase obcecadas

FC

Adornos do silêncio

Aglutinam-se em mim comovidos gomos de
Luz tão ávidos e fraternos que cicatrizam
O dia que nasce feroz, dissolvido em gratas
Esperanças, fidedignas…eternas

No seu espectáculo magistral adorna-se todo
O crepúsculo deliciando a sinuosa amanhã que
Reverbera com uníssonos beijos tão levianos e coesos

E foi ali que supus este silêncio que patinava na
Minha solidão quase astuciosa elevando místicas
Palavras trajadas de poesia subtil e ardilosa

Dormita assim toda inspiração que recrio nesta
Noite tão surpresa e cautelosa, antes mesmo que
A solidão trote em mim de forma tão caudalosa

FC

De olhar felino…

Na fronteira de todos os instintos pernoita esta
Minha solidão sequestrada, obsessiva ,tão urgente
Quão silenciosa e provisoriamente prostrada

Confesso-me na intimidade da noite que por
Mim adentra mais compenetrada até se esvair
Toda num desejo generoso, impaciente e desesperado

Serena e magnânima brota a madrugada seus gomos
De luz tão dramatizados que eu simplesmente me infiltro
Em ti cadastrando todos os beijos que ali ficaram tão deslumbrados

É tempo de mapear as ânsias que enamoradas vagueiam
Desfibrilando as artérias deste coração por onde passeiam os
Sonhos que tantos ecos de prazer e amor manuseiam

De olhar felino a manhã uiva lírica e venerada
Deixando efeitos colaterais neste tempo onde uma hora
Impune fenece petrificada, definitiva…obliterada

Ancorei entre as margens da solidão uma sede que
Me sufoca tão apressada gemendo entre as credenciais
Desta ilusão tântrica, cibernética, depurada e providencial

FC

Assim agoniza a noite

Procuro no significado dos silêncios
Um eco ou lamento débil regando este tempo
Trajado de fertilizantes solidões tão estimulantes

Confinadas à periferia da frágil madrugada a luz
Repercute uma imensidão de palavras suplicantes
Até se perderem na imune e ténue ilusão assim estonteante

Traçado está o destino de uma hora morrendo sem fulgor
Pois agoniza ainda a noite mais fulgurante num ápice,
Expropriando-me os sonhos improváveis e inquietantes

Na aura do tempo resplandece a vida mais rebelada
E relutante arrumando todos os enclausurados desejos
Que deixámos coniventes, inapelavelmente latentes

FC

Desejos reclusos

Em debandada o dia veste o poente
Magistral com vividos ecos encaixotados
Numa gargalhada latindo bem decotada

Vou sair velejando pelo tempo emproado
Com ondas de desejos sempre mais excitados até
Me perder pra sempre nesta maresia tão espevitada

O oceano por inteiro verbaliza todo lamento que
Navega a bordo da minha solidão quase inusitada
Acossa cada palavra que sussurro nesta rima assim deleitada

Inevitavelmente a madrugada repercute a imensidão
De prazeres degustados em absoluta profusão onde me vicio
Na adrenalina de cada desejo urgente, requintado e em reclusão

FC

Deserto de solidão

 

A um quarteirão do tempo final
Esgueira-se uma hora pontual
Embalada pelo ninar aveludado
Desse sorriso que quero tanto acalentar

A madrugada acaricia o rasto da escuridão
Que transpira por todos os poros naufragando
De ilusão em ilusão até se perder num
Silêncio afagado por preces em reclusão

Perdi-me nas ruas desta solidão tamanha
Deixei avenidas desertas de humanidade
Qual claustrofobia metódica, fidedigna…estóica

Perdura no tempo somente este ateu e recriado
Lamento ultrajado deixando-me esta abissal sede de
Amor dormitando entre os despojos de uma esperança colossal

FC