Tertúlia da esperança

Aprontam-se os sorrisos na manhã
Desnudam sua melancolia, lânguida e atrevida
Atiçam-se as memórias homenageando
A serena ternura fecundada com tanta folia

É a tertúlia de uma esperançosa alegria
Reunida na angra do tempo onde as manhãs
Penetram na periferia da vida reverberante,
Hercúlea…em euforia

Preencho os espaços que a noite deixa neste
Vagabundo e constrangido silêncio bem forjado onde
Cada eco num sublime e aveludado lamento magoado
Me acalmaria até os ais redondamente tristes e dissimulados

Foi como um adeus infindo e virtual navegando entre todas
As sílabas solitárias qual simulacro das minhas preces sentidas
Arquitectando uma nova esperança que se escancara extasiante
Fatalmente irradiante,tão bem repercutida…sempre reconfortante

FC

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Solidão(na óptica do utilizador)

Banha-se a manhã com os perfumes
Acantonados nos cílios dos teus olhos
Divagam em maresias infindas até desaguar na
Silente esperança que toda a ternura por fim adivinha

Já enfadonha a noite cobre-se de véus e breus
Tão travessos captando toda a óptica da solidão
Que em mim se acoita ritualista e quase possessa

Benevolente depois, desperta o dia gerando mil
Perfumes confortando a fiel ilusão que palpita neste
Meteórico silêncio extraditado

Tímida e fiel a saudade desabotoa cada memória espontânea
Alimenta este sonho longilíneo deixando na alma ecos do amor a
Reverberar na geometria de uma lúdica gargalhada tão instantânea

FC

Lamentos endócrinos

Há uma manhã flogosa que desperta cheirosa
Beberico seus perfumes vestidos de odores charmosos
Desvendando a saudade submersa nesta rima tão prazerosa

Respiro nos fluidos frescores do dia teu ser, todinho ele,
Entregue aos cuidados deste silêncio fatal saboreando
Aquele beijo inteiramente desejado…sobejamente festejado

Mansa e sedosamente a madrugada despiu-se dos seus
Acetinados breus nocturnos dando lugar à eufórica manhã
Bamboleando suas ancas, regurgitando uma alegria tão pictórica

Devoro cada hora vadia onde tatuo meus lamentos endócrinos
Bebo da solidão cada lágrima vincando os lençóis dos desejos
Tiranos onde amanheço forrando teu sorriso cordato quase alucinógeno

FC

O segredo do silêncio

O segredo em silêncio grita, grita sinuoso quase
Murmurativo calando mágoas e lamentos
De uma solidão omnipresente e equitativa

As distâncias renascem a cada partida deixando
Na saudade caricias atadas a uma memória
Obstinada desdenhadamente furiosa e arrebatada

Deserta a solidão e pernoita no sítio das minhas
Fiéis inquietudes até que o poente derrame suas
Lágrimas na angra dos lamentos mais espevitados

Naufragam os destinos tão inexoráveis
Subjugam as ilusões desfraldadas pela bandeira de
Mil solidões flanqueando um sonho sempre inigualável

Devagar, devagarinho a manhã retempera-se com
Perfumes a nós tão infiltráveis engravidando cada
Hora que habita uma eternidade inalcançável

As desilusões desfeitas gritam agora a cada
Minuto inadiável e, sob a mudez das minhas palavras
Ecoam apenas estes versos desesperadamente insaciáveis

FC

Ecos de um kissange

 

  • à minha África…absurdamente linda !

Breve como o tempo chega o dia
Trincando e alimentando a luz matutina
Incendeia os silêncios e seus subtis ecos
Ensopados de caricias tão traquinas

Sem fim reluz a manhã iluminando o diadema
Que sorri na adornada ternura dos teus olhos batucando
E namoriscando cada desejo mais complacente

É neste airoso e saboroso luar que floresce uma
Prece titânica, tão confidente consolando a alma
Com uma meiguice de afagos tão benevolentes

Revejo na madrugada todas as sombras
Adormecidas num fragmento de solidão indolente
Reportam à saudade como se ceifam as memórias
Quais ecos de um kissange sensual e irreverente

FC

Pelas frinchas desta solidão

Entreabre-se no tempo uma hora tão solitária
Acoita-se entre os vales desta ilusão excedentária
Aninham-se num silêncio inescrutável fugindo pela frincha
Da solidão selvagem quase inevitável…quase inimputável

Pelas frinchas da noite escapuliu um gomo de luz
Deixando na ruptura da alma uma subtil fenda instável
Bulindo esta solidão estilhaçada…incontestável

Manobro como quero até as palavras mais carentes
Elixir ou dopamina dos meus desejos virtuais ou
Tónico ardiloso que transpira das nossas dermes tão latentes

Esgueira-se aquele horizonte vestindo o vulto da noite
Com tenazes gomos de luz engolindo a escuridão ali adjacente
Até que se mate de vez este silêncio, versátil…complacente

FC

Fusão dos silêncios

Resoluta a solidão apronta-se
Impregna-se de uma ilusão tão exorbitante
Que a noite num hiato momento do tempo
Se oculta no anfiteatro da escuridão mais aviltante

Na fusão dos silêncios adormecem todos os
Electrões num químico isótopo de solidão
Órbita de todos os atómicos lamentos em reclusão

Desertam as horas tão lestas completamente engarrotadas
A este momento de tempo tão esfarrapado
Incendeiam uma enxurrada de lamentos, sulfúricos e crispados

Brota do céu uma chuvinha mansa, mansamente decapada
Onde nos bordos de cada pingo solitário se dissolve o
Silêncio caindo torrencial e bem…muito bem ludibriado

FC