Perdão Alepo

perdão alepo

Aprisionados à sombra de uma enorme solidão reencontram
Em cada esquina o sofrimento arremessado nesta empanturrada
Geometria bélica desumana, esventrando a vida de forma, tão desvairada

Crescem entre bombardeamentos mediados pelo
Ódio sem fronteiras
Acampam ao redor de um refugio feito silêncio sempre revoltado

Enfrentam de frente a inevitável morte tão ambiciosa quase estupefacta
Numa incivilizada bebedeira colectiva de sofrimento
Pranto e dor rotineiramente perplexa e assombrada

Deixaram para trás um calendário de sofrimentos
Que se afogam neste Mediterrâneo de tantos aviltamentos
Pais, mães,filhos, velhos e crianças numa constante rota de padecimentos

Perdão Alepo, pois na ampulheta dos dias o sofrimento é somente o compartilhar
De tantos lamentos…é o cancelar da existência sufocada numa vil hora que alimenta
A Barbárie insana sob a batuta da violência tão categórica…tão inumana

Perdão Alepo porque de ti fugimos, migrando para uma diáspora
Sem princípio nem fim, enterrada naquele consterno e infernal
Silêncio que agora por fim pousou, solitário,alheio…descomunal

FC

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Sem mais capitulações

Numa abençoada e sublime manhã o tempo escolta este
Outono que chega de mansinho reabrindo todas as janelas
Da ilusão envolta num manto de lembranças que ainda
Perduram na esperança chegando assim arguta e integral

Por inteiro e sem fragmentos conecto os sonhos
Monitorizados no prefácio da vida embalando o choro da
Chuva que se entranha na minha destelhada saudade regando
A ininterrupta solidão que em mim se entranha assim abandalhada

A noite mais fria cerrou-se nas suas desilusões e nós
Num interregno de tempo impermeabilizámos nossa paixão
Engolindo cada beijo, cada açoite conectado a três dimensões

A lua desagua em cântaros sua luz imarcescícel regenerando
Todo amor injectado em prefusões de abraços e desejos sem excessões
Até que em uníssono nos entreguemos fartos, saciados…sem capitulações

FC

 

Declínio do silêncio

Desceu a noite pelo desfiladeiro das minhas solidões
Atrofiando a luz cozinhada numa luminescência tão desvairada
Desamparante e banal desejo enviuvado naquele assertivo abraço
Onde chuleei a vida apaladada, cativa deambulando sempre esquiva

Quão restritiva deixei esta missiva numa lerda rima embaraçada
Arrulhando cada palavra pendurada neste glutão silêncio esquivo
Ao aplainar a memória desembocando contemplativa a cada guloso
Beijo que recordo entre os detritos da saudade mais retentiva

E enquanto boca a boca respiram nossos desejos degusto aquele
Sorriso inesperado atapetando um murmúrio tão exclusivo, desenhando
O prosaico verso alimentando o alfarrábio deste amor quase imperativo

Jaz heróica a noite arejando o enredo intimo desta estrofe confinada
À elegância das tuas gargalhadas bem articuladas, atordoando o dia
Que se avizinha blindado a esta ilusão tão minuciosa…tão resignada

FC

Aguarela de Outono

Fogosas e dançantes chegaram as brisas
Louvando a aguarela da vida onde pincelei este
Colorido Outono pastando sossegadamente entre
Suculentos e performáticos sonhos acontecendo…sucessivamente

Incorporei ao silêncio o mesmo espampanante eco que
Disfruto bebericando aquele impávido e meridional momento
Onde nossos desejos se alojam periodicamente à espreita
De uma dissipante neblina acontecendo minuciosamente

Lá nos píncaros dos céus atiro-me sem reservas sentindo
Aquele infinito e etéreo imaginário abraçar-me sorrateiramente
Até que a solidão num absoluta saudação me inspire integralmente

Vou deixar entreaberta a porta aos meus sonhos bem delineados, mais
Recreados, lapidando cada desejo que navega por entre as voláteis e infantis
Vénias enfeitando a manhã, desabrochando tão subtil , tão fértil…mais versátil

FC

Não permuto meu silêncio

 

Com labuta pernoitámos pelos caminhos hábeis
Da vida alimentando com minúcia cada detalhe
De um beijo com que a madrugada disfruta a sensual
Luminescência desta esperança que toda a solidão ainda recruta

É como se o silêncio ludibriasse cada eco
Algemado àquele lamento mais perfeito
Verbalizando cada palavra solitária astuta
Parida na leveza desta ilusão que sobeja tão absoluta

Diminuta e tão subtil aconteceu a madrugada de véus vestida
Trajando aquela abastada lágrima rolando sem embargos
Pela face da solidão tão ágil…tão táctil…tão impoluta

Devoluta e abandonada ficou minha oração alimentando as ilhargas
Desta fé que agora desfruto entre as manchetas noticiosas de um amor
Que reedito em cada naufragante silêncio que eu jamais permuto

FC

Cordato silêncio

Sem alarde o silêncio apossou-se daquele desgarrado
Momento de tempo onde vestíamos a solidão impetuosa
Consolando-nos entre os tentáculos desta rima tão insinuosa

De alegria em alegria inundei minha esperança suprida
Num cálice de sonhos avassaladores e curativos
Tatuando cada onda graciosa penetrando-nos insaciável e aguerrida

Agiganta-se a saudade agora que a partida se deu, tão desabrida
Tão fugaz, reinserindo a imensurável e meiga maresia que em nós
Desagua felina, cordata num vai-vém inspirador bem brunido

Amarrotados ficaram todos os silêncios guarnecendo as margens
Dos nossos seres navegando…comprometidos até alcançar de novo
Aquele porto seguro…derradeiro mar dos nossos amores assim esculpidos

Das noites rosna agora um trovão galgando o céu aos tremeliques
Alimentando as doces vagas oceânicas vagando adejantes até ao romper da
Alva salpicando de beijos o dia baloiçando nas alquimias desta vida tão sobrepujante

Despi por último as sombras meigas cintilando num extra-sensorial gomo de
Luz quase rastejante,seduzindo cada maré a jusante velejando numa paixão
À mercê dos ventos onde iço minha fé providencial, raiando…essencial

FC

Chuva de cristal

Desfaz-se a madrugada em prantos amaldiçoando
As trevas proverbiais alimentando a lamparina de
Cada lamento enferrujado marinando no convés
Da solidão tão peregrina

Cai uma chuva miudinha em gotas de cristal
Colorindo a noite debruando o epílogo dos nossos
Desejos mais perspicuos ao estampar a aurora com
Soberbos beijos tão insaciáveis…cada vez mais inadiáveis

Na superfície de todos os horizontes eclipsam-se
As solidões mais fugitivas ao compartilhar esta insurrecta
Palavra obsessiva alimentando todo o marketing destes
Versos prostrados num ensurdecedor silêncio ali cadastrados

Sob as palmeiras da minha terra acolho aquela sombra
Passageira saltitando acrobática pelos sonhos infestados
De alegria e perseverança até que a luz num ordeiro pestanejar
Se delongue tão íngea, tão sossegada…esgaratujando minha solidão a latejar

FC