Solitária solidão

Balouçam os ventos matizando a paisagem
Revigorante nesse teu olhar penetrante assim soluçando
Num vaivém tão refrigerante bebendo cada palavra
Ardendo no divã deste silêncio subtil e devorante

E enquanto me velavas os sonhos eu despertava para
O tempo bebendo-te em cada melodia sussurrante almofadando
A solidão estendida no tapete da manhã solenemente vergada
A este destino encharcado de desejos petulantes

Desfiz os nós daquelas ilusões que manufacturei em noites
Vestidas de lamentos impactantes enquanto a noite sobressaltada
Excitante, regurgitava todos os medos explícitos, aviltados e expectantes

Antevi depois aquele momento onde o tempo lograria as memórias
Equidistantes sepultando o silêncio desencadeado, quebrantado,cerrando
Os estores a este sonho errante, ornado com elegância grácil e translumbrante

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A promessa

Consumada a despedida fito o horizonte quedo onde o
Poente agora se expõe ígneo e ledo embelezando a matiz
Estética Atlântica onde no teu Pacífico olhar me acomodo qual
Sinfonia de sorrisos despertando excepcionais e quânticos

Perdi-me no tempo entre dois dedos de conversa
E aquele eloquente momento prometido,gemendo esquivo
Oportunista e subversivo deixando até o silêncio
Indisponível perante o réquiem de desejos mais impulsivos

E foi assim perante a madrugada lasciva que nos atulhámos
De beijos e abraços desesperados e receptivos ficando o tempo a
Putrefazer-se na solidão que agora cavalga fugitiva…a atrever-se, curando
Cada miragem que tenho do ser a exaltar-se e de ti…freneticamente apossar-se

Foi assim que seduzi cada molécula de prazer intemporal
A acender-se perante nós, implorando por uma desenfreada carícia
A apropriar-se do suave silêncio apaziguando o amor a suscitar-se
Esculpindo cada pingo de suor mergulhando despido neste sonho…a consumir-te

Foi promessa refinada num ténue suspiro ardendo insaciável para gáudio das
Paixões confessas…absolutamente impressas na alma até se escapulirem num
Obsessivo delírio fluindo devagarinho e sem pressas até à perfeita junção dos
Seres escrutinados, restituindo-se, assim…predestinados

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Este sentimento…

Assim madruga o tempo cinzelando a manhã que desperta
Congratulante e boquiaberta deixando perfumados olhares
Quase intocáveis sossegar a face meiga, de uma leve brisa,
Talhando o perfil imperativo de um olhar pungente e apelativo

Este sentimento espreme cada hora mais recatada
Deixa as manhãs prementes estregues ao orvalhado
Néctar da luz fustigando as sombrias e deslizantes solidões
Amarinhando pelo sótão do tempo reverberando energizante

Escorrega o silêncio no escorrega dos dias finais deixando
Minhas fantasias aromatizantes pernoitar no calado das ilusões
Mais profícuas e profundas ressuscitando a vida transbordando pela
Periferia da esperança exarada num cálice de impulsivas divagações

Este é o sentimento dos sentimentos domesticado pela memória
Tarada confinando todo silêncio ao perpendicular momento acostado
A uma saudade quase descarada deambulando nas imediações de
Uma hora qual unguento endodérmico massajando minh’alma contristada

A iminência de uma solidão tamanha cerca meu expropriado tempo
Onde amontoei o entulho de tantas memórias enclausuradas seduzindo
O ébrio sonho com um véu de palavras reflorestadas deixando cada lacuna
Da existência afável nutrir-se de nós, assim cuidadosamente complementadas

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Extra sensorial

Serenos e clementes se enlaçam os olhares
Excursando enamorados,vibrantes e galantes
Soletram um arfante pestanejar que chilreia
Em meditações tão expressivas e acutilantes

Soltei as amarras do tempo libertando cada hora
Oscilante que agita este destino insurgente bebericando
Minha esperança em goles de solidão tão relutante
Qual ilusão peregrinando ao sabor de uma amor tão impetrante

Deixei coagular o silêncio que vadiava de artéria em artéria
Até nutrir e consolar de gracejos cada aurícula bombeando o amor
Neste coração enfartado de desejos primaciais esbravejando,
Esbravejando em brados frugais escaldando velados e quase ditatoriais

É tempo de partilhar cada capítulo deste sonho oscilando
Entre palavras triviais, onde arrumo as memórias cordiais
Deixadas pelas pegadas das ternas afeições sensoriais
Renascendo entrelaçadas nesta quietude avassaladora e tão crucial

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A reputação do silêncio

Deixei as matutinas preces solícitas, em silêncio
Varrendo minha fé impávida e serenamente recolhida
No altar do silêncio onde toda a paz quase possessa
Alimenta este imarcescível momento de esperança madrugando
Numa fiel e obstinada oração reclusa, tímida e confessa

À tona porém imergem outras ânsias repercutindo uma
Saudade definitiva, inútil, gestando nos meus sonhos derradeiros
Pungindo a noite com desejos aflitos, incitados…desordeiros
Até que, entre os escombros da memória te ache deslumbrante,
Passeando pelo bandoleiro tempo em fogachos de amor tão reconfortante

Passei pelo tempo saudando cada indiferente olhar, desconhecido
Ausente, cortejando a solidão majestosa e tão indispensável
Sorvendo num ímpeto, aquela gargalhada vitima de tamanha desilusão
Instituida naquele pasmo silêncio sancionado, profuso…inescusável

Impensável choraria cada hora imunizada com as lágrimas de uma tristeza
Tão dolorosa quando nos meandros da madrugada te ninasse com beijos suculentos
E indispensáveis enterrando de vez a saudade indubitável içada no estandarte da
Vida onde remanesce a cada instante esse olhar quase inexcrutável

Certeiros como o poente que vadia pelos beirais dos céus cintilantes
Fecharam-se as persianas ao dia alardeando aquela luz felina cartografando
Todo dialético desejo que almejo nesta equação de amor incontestável
Flanqueada por festejos de absoluto prazer ferino e deleitável

Amparados por aquele cósmico momento alinharam-se os astros, até ao
Transfinito existir de um sonho que projectamos com uma mesura de abraços
Viçando ardentes e platónicos, mais que inauditos, irremediáveis, mais que
Degustáveis,inexoravelmente infinitos…e inadiáveis

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Murmúrios saltimbancos

O tempo passa por nós marcando cada etapa
De esperança abraçada às lembranças agora convertidas
Em gargalhadas que permeiam toda nossa perseverança
Represam mil caricias lânguidas, desmedidas ali acontecendo
Dentro deste destro abissal silêncio convalescendo expedito

Sem mais emoções ficaram as noites opacas solitariamente
Abandonadas enchendo meus vazios potes das saudades
Com vagas de ilusões expelindo seus lamentos inconfundíveis
Até que o dia se emprenhe de novo desmascarando a
Luz escapulindo surpreendentemente imperceptível

Restou só o silêncio esmaecendo defronte de um afinado
Cântico imprescritível, bailando até ao último instante onde
Depositamos nossos seres rugindo vincados a uma memória
Insaciável e imbatível…planando entre órbitas de luz bordando a noite
Com estrelas luzindo repletas de afectos inflamáveis e incorruptíveis

Nem posso mais adiar esta esperança creditada em alegrias
Predilectas pois do coração escapam surdos gemidos fotografando
A solidão tão atribulada acampada num murmúrio saltimbanco
Desconcertante e inefável despindo a doce ilusão mais confidente que
Cresce na indomável retórica de uma carícia que te empresto tão diligente

Perdura no tempo só uma saudade cunhada num labiríntico desejo que
Escorre deste baldio momento, alimentando léguas e léguas de um sonho
Embebedado de prazer tão subserviente, exactor…omnisciente
Agasalhando a alma com as sobras destes versos auspiciando percucientes
O esdrúxulo desejo laqueando as trompas do silêncio mórbido e tão resiliente

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Desejos infinitos…consumados

Dos jardins mais floridos se renovam aquelas felizes
Lembranças medrando numa pétala de luz tão vivificadora
Abrilhantam o sorriso delicado e pacificador que em gotículas
De amor despertam pela madrugada dançarina e tão aliciadora

Pudera eu reservar-te o unificante momento das nossas almas
Para que o amor drenasse esta maiúscula esperança onde trajamos
Toda a fé reverberando peregrina e cheia de pujança deixando o altivo
Pedaço de silêncio usurpar cada réstia de luz renascendo imperial e cativa

Assim devagarinho como quem chama por mim, desabrocha o tempo
Mesclado de tantos carinhos, castrando a solidão que teima em povoar
Minha memória vinculada a esta dualidade de lamentos que quero abalroar
Mal a noite se deite em lençóis de cetim onde cada desejo vou desabotoar

Empoleirados ficaram os aromas acariciantes que refrescam este maremoto
De ilusões tamanhas, espreitando pela empolada tez do teu sorriso que
Desbravo e esquadrinho afadigado, hidratando o poente malicioso, incandescente
Agasalhando nossas almas encurraladas, expectantes…equivalentes, acopladas

Tão oco ficou o silêncio…quase consternado despindo-se neste
Verso que semeio reflorindo um sonho desgovernado, inédito, roendo
A fiel madrugada que velo num feliz abraço carente e predestinado

A cada instante do tempo as flores continuam a roubar o perfume inquinado
Das fugazes paixões, remendando aqui e além as emoções sustentadas
Por um universo de desejos que partilhamos,infinitos e consumados

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