Ponte dos suspiros

Abrigo uma lágrima na ode do tempo solene
Habito o hospício da solidão onde se gratinam ilusões regadas
Pelo despertar do silêncio renegado até que um pranto agora
Reciclado eu flerte assim quase, quase embriagado

Um eco mergulhou na solidão que trazes numa
Lágrima correndo pela face deste silêncio sem guarida
Deixa um vasto rasto de ilusões comedidas, acantonadas na
Noite ferida e tatuada por palavras que sucumbem tão desnutridas

Façamos uma ponte para que nossos suspiros se unam
Endoidecidos estreitando as margens do prazer que bebo
Em extases condimentados pela quieta lembrança agora enaltecida

Em cada penúltimo momento traveste-se a noite de coloridas
Memórias recriando a teia de emoções que transbordam na tela das
Paixões instigantes bradando neste edulcorante silêncio tão ensinuante

FC

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Horas coagidas

O rosto em lágrimas molhado de prantos deixa à
Deriva um silêncio quase bravio tecendo a esmigalhada
Solidão que dormita esguia e elástica entre os ecos de um
Lamento disperso perscrutando todo suspiro mais sedento

No turbilhão das memórias mora uma saudade corrompida
Embebedando cada lauta hora mais hispida aninhando os fardos
Que carrego aos ombros da vida definhando quase coagida

Tatuo cada verso com palavras sempre em sintonia
Desperto aquela rima que antes inibida agora enaltecida
Pela fé grita, grita, grita, urdindo uma oração bem ressarcida

A noite mordisca impetuosamente a escuridão tão frágil
Tão apetecida degustando cada beijo que hiberna em nós depois
Enternecido aquietando toda lágrima jazendo letal na face do
Tempo à tanto tempo penando esquecido

FC

Ecos de cumplicidade

Vou rabiscar estes versos peregrinos
Sentados à soleira do tempo onde o sol
Madrugando opulento saúda a vida ritmada
Com carícias e palavras bem emancipadas

Arguta a manhã remanesce dócil e quase domada
Emoldurando cada estrofe que levo a bordo deste poema
Maturando em nós assim mais esmerado, salivando só o
Desejo que teço dentro deste silêncio escancarado

Soletro cada tom perfumado dos teus sorrisos
Tilintando entre os lençóis da solidão onde desenho todos
Os famintos sonhos adornando o amor agora e sempre aprimorado

Arfando quase lasciva a luz da manhã sem interferências
Esbarra num sensual eco que sobrevive à nossa cumplicidade
Escorregando pelo corrimão do tempo intocável…subitamente implacável

FC

Caçador de silêncios

Ao longe farejo a noite qual perdigueiro
Caçando as geometrias da luz que enfeitam
Sombras apaixonadas, agachadas entre as
Melancólicas alegrias que nos saúdam às gargalhadas

De perto, ou de longe precinto qualquer coisa que
Nos envolve na crista de uma onda bem escrachada
Lapidando o oceano rebolando pelos mares nunca dantes navegados

Cortei o sonho em fatias finas bem dissimuladas amarinhando
Pelo tempo que arfa estridulando ao ritmo do amor sempre coligado
Rumor deste silêncio marado deambulando pelos repiques
De qualquer mugido palpitando bem homogeneizado

Qualquer coisa…e tudo acontece assim desbaratando a noite
Escorregando orgulhosamente pela negrura da solidão acurada
Enxuta hora amadurecendo subtil na proveta desta ilusão mais regalada

FC

O solitário

Arrumei um gomo de luz que pendia
Desta ilusão madrugando pela calada do dia
Afagando todos os rumores da escuridão flectindo
Em cada expressiva e majorada hora em reclusão

Sempre solitário rondei depois a noite que me entrava
Janela adentro desmaiando entre as madressilvas que
Trepavam pelo nosso jardim perfumado de endoidecidos sorrisos
Tecidos e vincados com abraços estou certo, bem ressarcidos

Andei léguas pelos caminhos das solidões carenciadas e
Esquecidas deixando em desalinho aquele endócrino desejo
Mais audaz, urdido num inábil minuto que fenece depois
Enfurecido e tão voláctil

Vou partir daqui para o refúgio dos silêncios e de lá
Só sairei quando a esperança içada sob a bandeira da coragem
Ressuscite toda a inusitada oração que cochila numa intocável
Fé cilindrada com fervor quase inexplicável

FC

Minuenda solidão

Desta manhã restam pequenos tons de alegria
Desaguando num murmúrio sentado à soleira do sol
Mixando o horizonte com suaves delicadezas em simetria

De tantas lembranças abrigadas entre os rabiscos de um
Sorriso que tanto prestigio fica o vestígio dos teus perfumes
Vestindo a indumentária do amor sustido com beijos e abraços em euforia

E no decorrer da madrugada morrem muitas lágrimas tristes
Atapetando a soleira das minhas solidões que coabitam dentro das
Páginas do tempo que se esboroa e ausenta sem mais objecções

Adormeço por fim encochado ao útero do silêncio deixando por diluir
Uma gota de saudade até expluir todas as palavras submissas e confinadas
À abcissa das minhas inquietações que burlo ávido, lesto, omisso

Tão excedentários e profícuos se  acantonaram os desejos no calendário
Dos ecos felizes e apaixonados, alimento para toda a esguia ilusão
Engrossando o debilitado e minuendo segundo morrendo tão solitário

Resta somente compaginar as emoções sempre mais insubordinadas
Colorir a melanina das paixões escrutinadas num desejo vadio ludibriando
A noite coberta de morfínicas e fartas escuridões tão bem ornadas

FC

O sol do meu oriente

O sol ainda brilha ao longo do horizonte
E na vertical dos silêncios acólitos reparto
Em gomo de luz que se propaga numa vertiginosa
Travessia luzindo nesta paisagem afrodisíaca e graciosa

Mora em mim uma solidão tão breve, tão ritualista
Mirando o dia que renasce numa hora emergente e glamorosa
Conectada à saudade benevolente onde te acalento mais apetitosa

Na serenidade dos céus infinitos conforto as memórias meteóricas
Dilacerando aquela onda meticulosa orbitando nossos desejos vibráteis 
Imergindo entre adocicantes palavras que iluminam a imagética e
Volátil paisagem onde pernoitas mais garbosa , frenética e pulsátil

Tão medonha a noite veste-se de cetins imperiais arredando a luz escondida
Num hipotético oriente formoso e escultural ensanduichando o tempo agora
Perdido entre os bastidores de uma solarenga manhã que nasce depois tão cordial

FC