Adejando no silêncio

Com minucia teci o fio do tempo
Lubrificando cada minuto intemporal
Parindo o rasto do vento por onde o algoz
Silêncio pernoita num olhar felino e consensual

Condimentei a luz com pozinhos de perlim pim pim
Magicando a madrugada resumida naquela dispersa
Solidão abastada alvorecendo de rompante numa
Saudade ardendo embargada, perversa e vociferante

Bebi todos os extâses da vida quando esfacelei a existência
Contrita, austera, navegando no mesmo segundo exaurido
Submerso, instalado neste quieto silêncio bramindo até ao penúltimo
Momento apalavrado neste verso fantasiado e extrovertido

Na expressão do olhar candente sinto somente a noite
Pousar entre nós como um ósculo veemente e abrasador
Temperando cada sorriso patife, latejante…tão compensador

Finalmente quando o poente chega sinistro e catalisador, escrevo
Esta desgarrada de versos prenhes, improvisadores, descansando
No sulco desse olhar onde me espelho e sufoco quase predador

O tempo festeja sua privacidade adejando pelo estrelado brilho da
Noite radical até dizimar todo o breu deste silêncio escrutinador
E pericial acobertando cada sonho verosímil, acutilante e profanador

FC

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