No ponto de partida

Já longa era a espera enquanto se adivinhava
O ponto de fuga rasgando o horizonte que fervilha alegre
Pilhando cada silêncio rejuvenescendo nas entranhas
Do tempo até galgar todo instante inexorável e ofegante

Ali aguardo serenamente a despedida semeando só
Uma saudade nutrida convergindo na cremada existência
Onde ateio a vida que galopa desinibida resmungando entre
Lágrimas e lamentos frágeis, ensurdecedores, imutáveis

Despois de uma noite que trafega solitária iço a arrebatadora
Ilusão defenestrada do edifício dos meus delírios escoltando
A algoz e intimidante solidão dialogando pela madrugada
Circunstancial que desventra uma carícia renegada e escaldante

O tempo desliza de prontidão pelos dias que despejam
Suas essências perfumadas ao longo do caminho onde
Penetram todos os meus silêncios acabrunhados acariciando
Cada desejo reflectido no lento dia morrendo levedado

Esvoaça a imaginação derrapando no esterilizado dia tão
Irreverente amordaçando até o vento semântico e selvagem
Alimento de cada sabor furtivo onde as brisas livres em vadiagens
Apaixonadas abocanham o silêncio numa decalage de suspiros
Atónitos repenicados , fecundantes e caprichados

FC

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