Um passo de cada vez…

Deixo encastrado na noite cada pensamento
Que aconchego pacientemente
Construo nas tramas do tempo um claustro
De prazer onde me embebedo do colostro maternal
Onde fecundo a vida num suplício quase irracional

O tempo inclemente e vagarosamente disputa cada
Dia inexoravelmente
Entrega-se à blasfema noite desvirginando a luz
Sossegada que descortina a trémula madrugada
Despontando explicitamente abençoada

Exilado ficou meu silêncio quase infecto
Medonho insurrecto sorvendo cada lágrima perdida
Entre as pupilas do tempo num epíteto que deixo
Escrito em versos eufóricosque me são tão molestos

Interdito deixei meus sonhos mais selectos
Esvoaçando no deserto de esperança que rasteja
Insana medrando corajosa, soberana apregoando
A ostentada fé que incubo numa oração bordada a filigrana

Aniquilei os medos da noite clamorosa predestinada
Expressão tamanha onde aconchego toda a solidão
Inundando o intocável sussurrar da noite desabitando
Nossos seres num brutal grito de amor apetecido e implacável

FC

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