Fábrica de ilusões

Inconsolável e morosa chovia
Uma chuva miúda… miudinha caindo
Em bátegas de emoções escorrendo breve
Brevemente pelos telhados das mesmas solidões
Ininterruptas…varrendo o profano silêncio
Sepultando entre novos capítulos de tristezas
E aquele atarefado e lúgubre dia aninhado a
Este poema que jaz asfixiado num luto súbtil
Capitulando tão absoluto

Tenho somente a omnipresença da noite
Minha companheira das ilusões quase fatais
Onde descortino no breu da infinita escuridão
Aquele grosseiro adeus estacionado no subversivo
Olhar ministrando as condolências que deixei
No manuscrito da vida escapulindo sem indulto
Nem reticências

No anfiteatro dos tempos murmuram agora
Os segredos pérfidos denegrindo o silêncio
Complacente acampado ao redor dessa luz
Redentora e felina…quase indiferida, marginalizada
Descanso das minhas saudades qual recreio
De uma lembrança assim potencializada

E quando a lua acender seus faróis e a noite
Em si recrudescer a endémica treva dos tempos
Guarneço-te de versos deslumbrados numa
Ablepsia de silêncios selectos escalando cada lisonjeira
Gargalhada escrita num verso engarrafado na fábrica
Das minhas inspirações mais matreiras

…Assim ligeira a alma inteira soçobra no enredo
Magistral das memórias adoptivas e derradeiras
Sarau festivo ou desígnio das minhas ilusões mais desordeiras

FC

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