Como poderia eu…

Despedi-me dos desassossegos
deste tempo
Afagando o miudinho olhar semeado
Na eira dos ventos
Aceno ou despedida deixando na
Saudade o vestígio de uma lágrima
Ecoando persuadida

Como poderia eu
Iluminar-te a noite sombria que desponta
Nos corredores das melancolias
Se nem luz tenho que clareie o semblante
Da solidão relutante secundando tanta
Escuridão infiltrada um eco pujante qual
Embolia de desejos fecundos e exuberantes

Numa tentativa de alimentar o tempo
Refuguei-o em lume brando
Condimentando todos os afectos
Conzinhados no ego do meu
Silêncio onde reescrevo a ementa
Do amor assessorando cada manjar
De beijos arando um desejo invicto e esbelto

Como poderia eu
Deixar-te só um adeus insurrecto
Se meus lamentos agora vagueiam convictos
Sedimento daqueles abraços que
Morreram indigentes e obsoletos
Como poderia eu…

Como poderia eu…
Impregnar-me com teus perfumes se o
Vento os levou para outras paisagens
Regurgitando até a última lágrima que
Dividimos aguçando o ilustrado sonho
Desabitando aquele pincelado adeus absurdo
Que em cada momento ainda lembro e saúdo
Como poderia eu…

FC

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