Recuerdos em mi bemol (Suite dos silêncios)

Morre a noite lentamente
e as recordações seguem os mesmos
trajectos noctívagos deixando um
áspero bocejo cativo nesta solidão incessante
abandonada ali na gare dos silêncios dispersantes

Recordações tão simples e só como aquela quase
delinquente colheita de beijos desfilando no novelo
do tempo onde refino tua gargalhada expulsa num
sorriso de desejos pululando num recuerdo que anelo

Recordações desfilando pelos perfis labirínticos
Desta vida saltitando opulenta entre a suite dos
meus silêncios e a retumbante palavra batucando
no pandeiro do amor coadjuvado a dois…por vezes
até nos embriagando num punhado de orações latejando

Recordações só mesmo rimam com divagações
profanas citações…vestindo a geometria de outras reconciliações
Ousadias que esquadrinho no espólio do tempo repleto de encontros
e desencontros encrustados no corredor dos sonhos intemporais
cavalgando pelo alfabeto mirabolante de outras paixões radiantes e viscerais

Alinhavo as recordações em  cada palavra homenageando os meus
devaneios e resguardo a estatura e a analogia de todas as minhas solidões
que seguem lentamente pela diáspora das procissões apaziguantes
Num verso improvisado que trauteio ávido e insinuante

Ficarei só, calado estatelado na suite do tempo
Recordando aquele mi bemol refastelado inarmónico
Deambulando pela clave dos meus sustenidos prazeres
Repercussão vibrando afinada qual cântico esterofónico
Num versículo mesclado e consumado num desejo quase canónico

FC

 

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