Brisa ofegante

O último acto estava trajado de solidão
E o que batia no meu peito era só o tempo rasgando
O perfil selecto dos ventos aninhando-se entre gotas de luz
Enxugando o atarantado desejo consagrado no coração

A derradeira e indelével promessa amontoa-se entre
A encadernada biblioteca de palavras fiéis e aquela casta
De versos intocáveis embebedando a noite que galopa
Felina pelas colheitas demarcadas e vindimadas dos meus
Silêncios onde trinco cada brisa ofegante perfumando
O mosto da madrugada chorando, chorando inconformada

O que bate no meu peito amor, disse-o sem estratagemas
Fitando todas as retinas do teu olhar elaborando um
Ecossistema de versos desembarcando na perífrase do tempo
Anónimo fecundando a noite que se ancorou nos teus beijos
Derradeiros…axiónimo incisivo de um desejo que em mim
Se entranha tão perverso e quase e pirómano

É tempo de deixar bater livre este coração
Comemorar todos os quilómetros de tempo
Caminhando no dorso da vida…sem contratempos
Viver-te auspiciosa qual argonauta empírico e fascinado
Agraciando breves peripécias que antes nos exaltaram numa
Utopia passional sussurrando até o apogeu quase irracional deste
Amor ancorado à irrequieta memória efémera…incondicional

FC

 

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