Império dos sentidos

Ó virtuoso silêncio que povoas o império dos meus

sentidos, deixando no rodapé dos tempos o necrotério

de lembranças esguias ancoradas ao desfiladeiro das saudades

esperneando compulsórias na terapia das palavras longínquas

despertando engalfinhadas na defunta noite tão desamparada

 

Negaste-me um desejo encaracolado aos dias finais

Desenhaste o perfil da vida numa alquimia de prazeres

escrutinando os bastidores dos meus sonhos festivos

numa cisão erótica e viril explodindo no atómico silêncio

impertinente, apregoando exaustivo e febril

 

Desmascarei a face do tempo flutuando de desencanto

em desencanto até saciar o intangível prazer polvilhado com sorrisos

eclodindo na mitral  e tricúspida benevolência do tempo engodando

nossos corações batendo a destempo tão irracionais…em contratempo

 

Colhi na paisagem da vida a estatura do silêncio saciado

estimulando este poema  fremindo numa hipnose passional

temperada com perfumes dissolvidos na manhã desassossegada

gesticulando em sonhos quase, quase tridimensionais

 

Por agora vou esterilizar meu silêncio

Deixá-lo numa incubadora até sumir a noite ciosa

chamejando pelos olhos do tempo qual bocejo atarefado

descansando entre o halo lunar e o obséquio ósculo

magnificando o amor a confeccionar

FC

 

 

 

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