Entre os pingos de chuva

Quem foi que estabeleceu os limites do conhecimento

Aprontou para a noite um jantar de silêncios luzídios

desnudando o cadáver do tempo mais avarento

vibrando pelas cantarias sedimentadas de um sonho

retratado no êmbolo da solidão quase inantingível?

Quem foi?

 

Quem foi que entre os pingos de chuva

traçou a regra e esquadro esta esperança inolvidável

alimentando a esquadria da vida

retratada com a eloquência de um beijo requintado

com sabores intemporais e irrevogáveis

Quem foi?

 

Quem foi que domesticou os ecos florindo

pela janela do tempo

Coloriu cada gargalhada pintada, pulsando

no catavento das minhas inqueitações

Retratou a boémia dos sonhos rebelados

embalando as celestiais palavras quase

inimputáveis…purificando a alma

escondida na gare das minhas

mais selectas divagações

Quem foi?

 

Quem foi que lustrou minha prece

chocalhando na religiosidade das horas

incertas, vagando na esclerose do tempo

emulando a fé que resiste, ávida desperta

Escudou este poema que afago qual

epistemologia de um crer sem dógmas

ou doutrinas que o amor liberta

Quem foi?

 

Quem foi que incitou meu silêncio

Calou cada ilusão que ostento

Licitou a verdade deste advento

mascarado com a poesia que acalento

Emergiu nos meus sonhos com tal

sede infinita ardendo no aveludado pranto

lacerando os gestos e gemidos num geliz acasalamento

Quem foi?

Foi somente a ténue manhã esvanecer-se

triste de contentamento, arfando, arfando

crente como a altiva lágrima que velo

dia a dia qual heróico desejo assim hibernando

FC

 

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