Ecos extasiados

Debulhei na safra de cada silêncio
todos os ecos de felicidade envoltos
num sonho encarcerado de solidões
fecundas
pranteando nos grilhões do tempo
alimentando a taciturna noite
tão moribunda

Pode a alma bater suas asas e deixar-me
agregado à dolorosa ausência deste silêncio
ecoando prematuro
pescando à lua sua luz inquieta gestando
na doçura de um pranto que feliz conjecturo

Pode o tempo bater em retirada
Alienar desta vida a aridez das sombras
por onde me aventuro num orgasmo
patente no desejo que emana conspirando
neste poema em debandada
…e ainda assim romper de raiva cada
melancolia dos meus silêncios esquecidos
no cântaro do tempo onde ecoam todos
os cânticos de felicidade embandeirada

Impalpavel deixei as sombras do dia
sepultarem cada hora implacável
renascendo no tirano tempo blasfemo
onde me hospedo ministrando um
mimo deslumbrado como despojo supremo

Deixarei fecundar este poema
No réquiem dos meus deslumbramentos
Anunciarei em versos todos os desejos pendurados
No cadafalso do tempo latindo ante o açoite deste
silêncio ermo  e o filosofal momento onde se
abortam os ecos grávidos premeditados nesta prenhe
felicidade cantarolando triunfal

A noite morreu assim pluviosa e aromatizada com palavras
derradeiras, desenfreadas apelando a cada inextinguível
desejo que namoro num adeus quase inconcebível
Ardente e adicional gargalhada compilada num acto contrito
rejubilando consolado redentor e expedito

FC

 

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