Sonhos algemados

 

Quero sentir
o gosto apaladado
nesse teu jeito voluntário
com que me embriagas espontânea
tão plena e solidária, sugando cada
desejo a ti blindado num gesto de grandeza
que recordo assim fecundado

Quero repartir
dois tempos de mim
em breves momentos em que
me cinjo aleatório entre os quadris
do teu sorriso num reportório
de gargalhadas que me ofertas
em pedaços de cânticos solitários
enfeitando o renovado dia desertando
manhã após manhã até extinguir a luz
primorosa de um sonho ali sedimentando

Quero manufacturar cada silencio
Alimentar as vigílias da noite
Dispersar todas as tréguas
Renascendo no ego do tempo
desaguando límpido entre ventos
excitando meus carinhos esculpidos a
régua e esquadro entre queixumes
emocionados relinchando num rastilho
de prazer confeccionado

Escondi-me da luz sedutora
expressiva e tão calma
que se estende ecoando
apelativa neste recôndito
exílio onde dirimimos nossa
derradeira história embriagada

Fraccionei cada porção de tempo
Em decotes de prazer deixei
inquieta cada palavra mais
alucinada pousando
de segredo em segredo
no conciliador silêncio que
requisito neste meu fiel degredo

Quis sonhar
sem ali esperar tua presença
aguardando imperceptível
qualquer resíduo
alusivo ao teu ser
sair por aí
procurar-te obsessivo
até desnudar-se a noite lúdica
que se algema continuamente
em ti suprema e tão fatídica
FC

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