(In)decifrável…

Palpita o silêncio entre o solitário
sonho abrigado e as falanges tácteis
da madrugada que persigo tão voláteis
memórias dos atalhos alagando o berço
das saudades sedentárias e versáteis

Rompi todos os cenários da vida
Alimentei cada transfusão de solidão
revestindo a indumentária do tempo
que submerge entre tédios e indiferenças
decifradas num poema que acalento
em metáforas serenas encastradas
laboriosamente num desejo tão suculento

Limitei numa cerca de silêncio
cada sonho que ecoava pelas
muralhas dos meus lamentos
Deixei surda a noite gritando
meu desalento
Alimentei com palavras dóceis e maternais
o colostro dos meus versos absolutamente
amamentados e imunes a cada
acorde lactante recém-nascido no
ventre do silêncio requintado e insinuante

Entre nós ficou emparedada a engenharia
dos meus versos abrindo planícies de
palavras requintadas pela calmaria dos
beijos arquitectados na intimidade incitada
ou num desejo que flameja profícuo
qual rastro fugaz de um murmúrio que ainda
sobeja promiscuo

Frederico de Castro

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s