Luz (in)discreta

A harmonia deste eco deixou

um toque de esperança oculta no

silêncio que um beijo teu festejou

A noite esplêndida acenou sua parca

luminosidade à solidão que desponta

sôfrega

transpirando na paisagem que se avizinha

citando cada verso meu mais inquieto

e dolorosamente traçado num ímpeto

de luz quase (in)discreto

 

Deixo o tempo imóvel

rasgando a galeria dos silêncios

onde pernoito rodeado de um

cardume de sonhos alucinados que

só um beijo teu me apraz  e por cortesia

interpreto desatinado e veraz

 

Sonorizo cada sorriso teu

palpitando naquele cambaleante

esboço de rimas e versos obstinados

alimentando a penumbra do tempo

num dialecto de palavras tão itinerantes

 

Deixemos o silêncio ao redor de

nós assim fluir

refrigerando a alma extasiada

incrédula…retocando a concepção

de vida inseminada num gomo

de poesia por nós assediada

 

Vou deixar desembarcar na

anestesiada e devoradora manhã

teu ser desenhado num hirto e magistral

bailado

coreografando a serpenteante erupção de amor

chegando na cilada do tempo transladado

 

Foi este o destino mais intimo

que aprontei quando num olhar

desperdicei o adeus incitado

desobediente, desmantelado

numa embriaguez de versos materializados

naquele silêncio ali acampado qual pranto

ressoando póstumo…quase mutilado

 

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