Lacrimosa

Cimentei com prantos
cada lágrima que caiu
enquanto o mar salgou cada palavra
que desnudo em oração
Foram lágrimas que deixei
no cadastro do tempo perpetuado
neste poema qual súplica ou conspiração

Chora a alma vazia, carente de ti
espelhando o gesto entusiasmado
que trazes no canto do olhar
esburacando o silêncio que pranteia
no brando e vago pestanejar do tempo perdido
engolindo a hostil hora morrendo consumada

Ó exuberante lágrima que o meu dorso
perfumas, transborda toda em mim
essa dor que humedece minha tristeza
Aquieta-me este pranto ensurdecedor
revela-me o odre onde guardarei o suspiro
vagido…um lamento embriagado qual
silêncio que devoro neste reportório de
palavras, gestos e queixumes compilados
insurrectos e quase arguidos

Lacrimosa assim vandalizei teu pranto
Embalsamei cada lágrima irrompendo
na grisalha noite poética onde pressinto
só mesmo o arrepio patético do teu ser
por instinto penetrando-me sem alaridos
a cada momento inviolável astuto e dolorido

Frederico de Castro

 

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