Silêncio acanhado

Sempre existe
um pouco de razão ou loucura
nas palavras aliciadas emparelhando
o passado que passa passando
urdindo vestígios do tempo arquitectado
em cada momento engavetado no sonho
que acontece relinchando emprenhado

Sempre existe
um quase esganado prefácio desta vida
debruçada à janela de um memorando
ordenhado na noite que pasta ágil qual latido
irreverente de um silêncio cúmplice e tão acanhado

Sempre existe
um encontro em cada desencontro
uma palavra de afecto pernoitando no vão deste
destino triste informal fossilizado num reencontro
tropeçando neste dia choramingando e convalescendo
nos bastidores do silêncio embrulhado num desejo
reincidente gemendo amarfanhado

Sempre existe
Um conceito de vida apunhalando a noite
que chega polvilhando a luz petrificada num
um sopro de vida cochichando apaziguada
anunciando a madrugada efémera em fuga
desgovernada sorvendo cada palavra que rastreio
parindo minha poesia estrebuchando fascinada

FC

 

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