O que recordo em ti…

 

O tempo soltou suas ventanias

a saudade a memória ígnea

epífania dos silêncios excepcionais

que se alimentam  no destino disfarçado

de brisas indeléveis e fraternais

 

O que recordo em ti

amordaçou a solidão

deixando

a alma em dores profanas

a vida carente rangendo

nas divagações quase insanas

E dos versos serviçais renovei o desejo

quase caótico numa pirotecnia de palavras

imprevisíveis nascendo passionais

homófonas e inesquecíveis

 

O que recordo em ti

vou soterrar lá no gavetão das

minhas ternas ilusões onde fabrico

e reivento a luz do teu ser

escapulindo por um triz à desinquieta

noite replicada em beijos convalescendo

no pote do amor sem mais contradições

 

O que recordo em ti

replico na arquitectura das

palavras nunca ditas

invadindo o dicionário dos sentidos

prenhes onde restauro um sonho omitido

dando entrada na clínica dos meus prazeres

recostados no olhar das distâncias

desalmadamente a dois  consentido

 

O que recordo em ti

fez-se então meu quotidiano

desarmando meu raciocínio

ensopando as horas trajadas

de infortúnio

alimentando o ciclo de vida

qual  sentimento em declínio

desabitando-nos pra sempre

numa imprevisível e inusitada

hora se revelando devagarinho

FC

 

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