Pra sempre…e depois?

 

Na longarina dos tempos deixámos

os dias macerar a vida que agora

ressuscita

Traficámos o luto da hora morrendo

inacessível

enquanto a noite se punha a jeito

do enterro debruçado no silêncio

informal e quase perfeito

 

Gemia o vento à porta das tristezas

junto ao batente do tempo hirto

expectante…e agora?

Agora apenas guardo aquele imáculo

beijo que me deixaste embrulhado

no sabor de um sonho tão detalhado

 

Na romaria dos silêncios então

correremos afoitos nesta já longa

peregrinação

colhendo pelo caminho cada lírio

pálido que desertou deste jardim

atulhado de versos contaminados

de fascinação

 

Hoje curvo-me singrando pelas

madeixas do tempo

descodificando o cochilo do vento

andante…combustível das palavras

que adornam este poema relutante

Oh poeta sonhador que deixaste esturricar

os teus versos perdidos na fauna alfabética

marchando em cada desejo insinuante

Pra sempre…e depois?

 

Depois te direi em súplica ou clemência

ao dormitar na várzea dos teus sonhos

como desfrutar-te íntegra

exilando-te no meu romantismo

ínfima e itinerante coabitando

na masmorra do amor qual frágua

feliz e ardente ressuscitando

FC

 

 

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