Corpo do silêncio

 

Renova-se a esperança que habita minh’alma

Vivifica-se o tempo vindo no crepúsculo da vida

Encena-se o espetáculo serenamente orquestrado

na partitura dos silêncios

enquanto a lua deixa seus raios pousar numa gotícula

de luz passarinhando na esteira do tempo

 

É como quem acaricia o vento

elevando a trajectória da vida

para lá dos pensamentos mais subtis

inspirando a poesia perfumando a derme

das palavras voláteis e tão gentis

 

É a música cantada nos chuviscos de Outono

recriando vida acantonada no exíguo silêncio

quase enlutado

É a noite peregrina soterrando as dores

da solidão com que alimento

uma saudade hostil

incontida…tiritando no frio céu esmaltado

onde arquitecto meus versos expectantes

despertando num momento, perfeito

exaltado nas palavras palpitando insinuantes

 

É a rima vibrando à tangente das

palavras acossadas

É o desejo em cascatas trovando

numa tonalidade de cores dançando

no solfejo desta vida deslumbrantemente

excitada e as lembranças dissimuladas

batucando ritmadas a cada esboçar

das nossas sombras se entrelaçando

perdidamente inoculadas

 

É o corpo do silêncio onde me fecho

ausente…incessantemente

sem fugas possíveis

numa correria incógnita furtuitamente

temperada neste pacto eremita

onde me sustento no santuário

da solidão que desponta implícita

numa empreitada de versos que te

ofereço cantarolando…explicitamente

FC

 

 

 

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