A mecânica do silêncio

 

No furor

o ruído

o eco do software

O devaneio de um grito

reverberando no

castiçal dos silêncios

preenchendo a ressonância de

todo o meu hardwere

 

O frémito ruído

o desembaraçar do tempo

num sentimento cego

sem sossego, alvoraçado

soltando gemidos num

fluído de palavras esperneando

num putrificado dia desfasado

 

A mecânica dos silêncios

o verso bramindo na noite

calada

a sombra passageira onde

jaz a voz quieta

num rumor vagabundo

que agora até desinquieta

 

A caligrafia deslizando

no sepulcro do silêncio

O obcecado e astuto ruído

atrelado ao doce silvo

de um beijo deixado no

rodapé desta algazarra

onde se fez gritante o

sorriso ocluído

 

Resta o farfalhar

do Outono

O chorar mansinho das

horas e dos lamentos

extenuados

A madrugada tilintando

entre estes versos sitiados

empurrando a maçaneta da

vida gemendo entreaberta

ao suave ninar dos silêncios

que quero somente perpetuar

 

Na prisão dos ventos uivantes

preencho cada hora minguando

no chinfrim de um sonho

martelando a noite numa arritmia

louca, festiva

engolindo uma gargalhada soando

límpida no tilintar da tempestade

batucando, vituperando nos disjuntores

da vida num curto-circuito

eléctrizando esta canção eclodindo emotiva

FC

 

 

 

 

 

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