Quem diria…

 

Quem diria

Foi assim devagarinho

que embalei este silêncio tântrico

Entupi as veias com versos

matreiros

Saciei o tempo tétrico onde

massajo cada hora fugindo

na semântica deste verso derradeiro

abalroando-nos assim na cumplicidade

perfeita de um beijo galante e sorrateiro

Quem diria…

 

Quem diria

Num preciso improviso

resgatei um naipe de sorrisos

forrando a alegria dos dias

enrolados na fímbria de uma

promessa lisonjeira

quebrando cada segundo desenhado

entre os talheres esfomeados desta

vida…passando insuportavelmente

traiçoeira

Quem diria…

 

Quem diria

Recolhi todas as réplicas do

teu ser luzindo à luz moribunda

dos silêncios rogados absurdos

ecoando nas esquinas deste mundo

que jaz no confortante  leito de um verso

que inunda o vazio deixado ali…sem recurso

Quem diria…

 

Quem diria

Depois empanturrei-me no licoroso

poente que se esvai nesta súplica

escancarada

Deliciei-me com tua vénia calorosa

renascendo pujante

a jusante de todas as gargalhadas

voláteis ,platónicas

irrigando toda a carícia,libertina

e tão petulante

Quem diria…

 

Quem diria

Eis que pra sempre em ti imergi

rugindo no teu olhar acutilante

adivinhando todo o sortido de beijos

que me deixaste sem mais reclamar

neste poema caloroso inebriando

as nuances esbeltas de um dia que

fecha suas escotilhas

e nós empanturrados

lá saímos

vadiando, fantasiados neste enlace

sussurrando eternamente conciliados

Quem diria…

FC

 

 

 

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