Chuviscos no silêncio

Algures no tempo incendeiam-se os
Horizontes dóceis, esvoaçantes acometidos por
Uma subtil carícia tecida no mais fiel alvorecer itinerante
Balouçando à varanda deste silêncio quase estonteante

A docilidade de cada sonho beberica o poente fértil
Superando até o purificador entardecer abrigado num
Tempo magnânimo ofegante e circunstancial postando
A luz que chuvisca retumbante…reverencial

Deixei uma carícia online perfumando aquele colorido
Rendilhado na tez do teu sorriso quase penitencial
Embebedando cada êxtase mais enamorado
Dragando nossos amores insaciáveis e cronometrados

Imensurável se tornou a saudade flutuando num frenesim
De versos insanos, calando cada hora revigorada em murmúrios
Elegíacos, tão amestrados, trajando a ressaca das fantasias acuradas
Intensamente, vividas, absolutamente aprimoradas

FC

Até de manhã…

Tarde tarda a noite confiscando cada
Gomo de luz cativo no breu do silêncio
Mais profano e putativo

Até de manhã a manhã se engalanou com
Ecos grávidos de felicidade invadindo o oceano do teu
Mar onde me afogo em delírios prenhes de tamanha voracidade

Assim acordei na manhã repensando todas as
Insónias regurgitando lamentos maturados na
Solidão achincalhada por tantas ausências depauperadas

Um dia mais…até que a manhã enfartada de desejos
Se desnude embebedando este reportório de versos quase
Desamparados tatuando minha oração calada, contundida…prostrada

No culto do silêncio deixo a madrugada bisbilhotar o sussurrar
Matreiro e lânguido do tempo, vestindo todos os sensoriais ventos
Que acalentam a vida seduzindo-nos ígneos regenerados…fraternais
FC

Audaz momento

Entre as curvas e rectas do tempo sincronizei
Todos os silêncios estampados na enxaguante
Solidão pernoitando roçagante na leve brisa
Sedenta da luz que agora desponta mitigante

Inspirei a sinfonia solúvel que perfumava a noite
Divagante entretendo repetitivas recordações ofegantes
Perdendo-se na enxurrada de ilusões que o tempo a seu
Tempo amealha num momento do tempo rufando tão empolgante

Tantas e tantas foram aquelas felizes insinuações que
Deixaste a marinar no berço de um amor coligante até que
A madrugada repleta de silêncios vagantes engula e mastigue
De prazer nossas almas incendiadas, indissociáveis…ofegantes

E assim colori a rotina dos dias felizes despindo a luz que
Vagueia em cada verso meu, até polinizar o pleno hino
Dos nossos cânticos estonteantes, sedimentados num prazer
Memorável, preciso, audaz…alienante

FC

A dádiva do tempo

À mercê do silêncio fiquei disfarçando cada melancolia
Mais rotunda, iluminando de prontidão o tempo que se
Desnuda numa dádiva de vida fecunda, renovando esperanças
E sonhos repousando na tela de um sorriso tão vagabundo

Na vazia poltrona da noite descansei, ausentando-me
De todas a memórias que jazem esquecidas no tempo
Apático e estático desassossegando o silêncio que desagua
Agora furtivo, murmurante, deambulando, apaziguante

Inunda-se o dia com toda a luz arrastada pelo universo
De lamentos tão desnorteados, desabitando nossas almas
Insaciantes, beijando com galanteios o doce pestanejar
Do tempo lacrimejando destemido, aviltante…redundante

Por fim evapora-se aquela hora intempestiva e inquietante onde
Mergulhamos embriagados e incrustantes deixando no regaço da
Existência aquele maquilhado abraço inescusável e pactuante afogar-se no
Mar de desejos espontâneos, imutáveis , ardendo, ardendo tão, gratificantes

FC

Submissos sonhos

A brisa desencantada abraça-se ao pedúnculo da
Tristeza que madruga vil e desnorteada
Escorre pela face do silêncio peregrino ecoando entre as
Palavras marginais, flutuando místicas lisonjeadas e intemporais

Da chuva brota o mesmo perfume que engravida Terra ávida
Enlameando com ecos sublimes todo o amor autenticado
E semeado em cada pedacinho de desejos renovados, laqueando
A tristeza incontida murmurando esfomeada…emputecida

Trajei cada suave hiato de silêncio com coloridas vestes artísticas,
Estupefactas bebericando a prece que engalanou minha fé
Amanhecendo singela inspirada …bem flanqueada
Alucinando outras loucuras mais deliciosas e nunca refreadas

Desnuda-se a cegueira da noite que desperta prepotente folheando
As palavras descritas num rol de submissos sonhos vanguardistas
Agasalhados aos murmúrios parqueados num beijo bem delineado
Revelando outras intimistas inspirações cúmplices, súbditas e intactas

FC

Adejando no silêncio

Com minucia teci o fio do tempo
Lubrificando cada minuto intemporal
Parindo o rasto do vento por onde o algoz
Silêncio pernoita num olhar felino e consensual

Condimentei a luz com pozinhos de perlim pim pim
Magicando a madrugada resumida naquela dispersa
Solidão abastada alvorecendo de rompante numa
Saudade ardendo embargada, perversa e vociferante

Bebi todos os extâses da vida quando esfacelei a existência
Contrita, austera, navegando no mesmo segundo exaurido
Submerso, instalado neste quieto silêncio bramindo até ao penúltimo
Momento apalavrado neste verso fantasiado e extrovertido

Na expressão do olhar candente sinto somente a noite
Pousar entre nós como um ósculo veemente e abrasador
Temperando cada sorriso patife, latejante…tão compensador

Finalmente quando o poente chega sinistro e catalisador, escrevo
Esta desgarrada de versos prenhes, improvisadores, descansando
No sulco desse olhar onde me espelho e sufoco quase predador

O tempo festeja sua privacidade adejando pelo estrelado brilho da
Noite radical até dizimar todo o breu deste silêncio escrutinador
E pericial acobertando cada sonho verosímil, acutilante e profanador

FC

A natureza das coisas

Abundam em mim tantas dúvidas, tantas expectativas
A fé morando lá fora reveste-se de mil desesperanças
Introspectivas…solícitas, emprenhando cada memória vagando
Célere pelas orações resignadas e retroactivas

A natureza das coisas aguarda silenciosa entre as moitas
Do tempo uma oportunidade para parir aquela tempestade
De desejos que crescem fluidificantes, apelativos deixando
Em off exaustivas solidões urdidas, sem pé nem cabeça

Foi aquela utopia afoita redesenhar a arquitectura
Da felicidade repousando entre os destroços de um
Sorriso perdido, contrito…tão substancialmente furtivo

A alma flanando, deixa um clamor de lamentos instintivos
Varrendo todo o horizonte da esperança onde se despe e despede
Aquele poente imortalizado numa lágrima desabrigada…supurativa

Em nome deste sonho desapropriado, inacabado, desabotoei toda
A vastidão de palavras acomodadas nas layers coloridas desta escravidão
Povoando a leda manhã acantonada nos bastidores da minha solidão

FC