Silêncios digitais

digital

A noite percorre a escuridão quase transtornada
Sem transeuntes todos os silêncios digitais
Reverberam electrocutando a solidão indignada

Mergulho nas memórias e meço cada centímetro de
Tempo retido na moldura das emoções desgovernadas
Ali matura e medra uma hora completamente indisciplinada

Sonoridades digitais orquestram um aguaceiro em diagonal
Flertam milhares de gargalhadas que bailam tão sensuais
Aglutinam cada amplitude térmica volátil e radical

Os estímulos sensoriais bloqueiam um desejo ainda
(In)consciente, matemático e geometricamente surreal
São a substancial argamassa de cada caricia feliz e descomunal

FC

Incondicional

 

incondicional

Labaredas de ilusões ressacadas ocultam todas
As melancolias pestanejando tão recalcadas
Gravam na tela da vida tantas memórias obsecadas

Entre silêncios e ecos suspirando atordoados emana
Um perfume trajado de desavergonhados sonhos assanhados
E sem respostas as palavras sucumbem nestes versos recauchutados

Incondicional será somente a esperança fiel, firme e desenrascada
A fé um veículo para cada oração humedecida nesta rima sofisticada
A tempestade perfeita para atordoar angustias e lembranças recalcadas

FC

Bairro do silêncio

bairro 2

No bairro do silêncio habita uma solidão
Conveniente, conivente, tão envolvente
Cartografa cada eco fluindo, fluindo resiliente

No bairro do silêncio a música orquestra-se
Na partitura das emoções mais irreverentes
Esboçam tantos clandestinos sorrisos latentes

No bairro do silêncio sucumbe inexoravelmente
O tempo quedo, mudo, isolado…assim miseravelmente
Vagueia num surto de solidões quase omnipresentes

No bairro do silêncio as ruas apinham-se de ilusões
Cambaleando inertes, insolentes…muito insipientes
Escavacam todas as horas embebedadas e eloquentes

FC

Momento poente

momento

Içando uma solidão ígnea e quase indescritível
A maresia feliz adormece desatinada e intangível
Bolina numa brisa prestes a desmaiar quase inaudível

É o momento poente infinitamente ilustríssimo
Apazigua as dores do tempo imerso num sorriso miscível
Confunde-se no leito do silêncio onde mora um eco inamovível

FC

Ousa

ousa

Ousa descortinar entre os lençóis onde se
Esconde a nudez da vida quase a desatinar
Apaixona a alma despida e prestes a desmaiar

Ousa e sente a derme das emoções ali a vaguear
Prontas, prontinhas de beijos e caricias afagar e
Sem pressas nem sofreguidões toda te escrutinar

FC

Em trânsito

caminhos

Caminhos cruzados, rotas e destinos eternizados
O tempo, sem tempo desaguando ali dramatizado
Um desabafo, um lamento cruel e estigmatizado

Escondido na noite trafega um breu tão escandalizado
É cúmplice de um grito ecoando absurdamente desprezado
Embarga cada silêncio estéril, interminável e enfezado

Todo o ciclo de ecos reverbera agora mais optimizado
Agiganta-se quando cessa um ai tão despressurizado
Acalma um desejo em trânsito neste exímio verso civilizado

Constrói-se a noite repousando num poema banal
Desvitaliza-se um lamento sempre desmoralizado
Conforma-se o ego num quântico pranto tão encolerizado

FC

Elos

elo

Em desconfinamento cada hora deixa um elo de
Ilusões fecundar uma brisa que suspira abismática
Tonifica cada caricia encarcerada numa hora enigmática

Além, duas almas temperadas por paixões lunáticas
Acorrentam-se de vez e tecem na fímbria dos dias
Uma vertiginosa dança de emoções quase telepáticas

FC