Submissos sonhos

A brisa desencantada abraça-se ao pedúnculo da
Tristeza que madruga vil e desnorteada
Escorre pela face do silêncio peregrino ecoando entre as
Palavras marginais, flutuando místicas lisonjeadas e intemporais

Da chuva brota o mesmo perfume que engravida Terra ávida
Enlameando com ecos sublimes todo o amor autenticado
E semeado em cada pedacinho de desejos renovados, laqueando
A tristeza incontida murmurando esfomeada…emputecida

Trajei cada suave hiato de silêncio com coloridas vestes artísticas,
Estupefactas bebericando a prece que engalanou minha fé
Amanhecendo singela inspirada …bem flanqueada
Alucinando outras loucuras mais deliciosas e nunca refreadas

Desnuda-se a cegueira da noite que desperta prepotente folheando
As palavras descritas num rol de submissos sonhos vanguardistas
Agasalhados aos murmúrios parqueados num beijo bem delineado
Revelando outras intimistas inspirações cúmplices, súbditas e intactas

FC

Adejando no silêncio

Com minucia teci o fio do tempo
Lubrificando cada minuto intemporal
Parindo o rasto do vento por onde o algoz
Silêncio pernoita num olhar felino e consensual

Condimentei a luz com pozinhos de perlim pim pim
Magicando a madrugada resumida naquela dispersa
Solidão abastada alvorecendo de rompante numa
Saudade ardendo embargada, perversa e vociferante

Bebi todos os extâses da vida quando esfacelei a existência
Contrita, austera, navegando no mesmo segundo exaurido
Submerso, instalado neste quieto silêncio bramindo até ao penúltimo
Momento apalavrado neste verso fantasiado e extrovertido

Na expressão do olhar candente sinto somente a noite
Pousar entre nós como um ósculo veemente e abrasador
Temperando cada sorriso patife, latejante…tão compensador

Finalmente quando o poente chega sinistro e catalisador, escrevo
Esta desgarrada de versos prenhes, improvisadores, descansando
No sulco desse olhar onde me espelho e sufoco quase predador

O tempo festeja sua privacidade adejando pelo estrelado brilho da
Noite radical até dizimar todo o breu deste silêncio escrutinador
E pericial acobertando cada sonho verosímil, acutilante e profanador

FC

A natureza das coisas

Abundam em mim tantas dúvidas, tantas expectativas
A fé morando lá fora reveste-se de mil desesperanças
Introspectivas…solícitas, emprenhando cada memória vagando
Célere pelas orações resignadas e retroactivas

A natureza das coisas aguarda silenciosa entre as moitas
Do tempo uma oportunidade para parir aquela tempestade
De desejos que crescem fluidificantes, apelativos deixando
Em off exaustivas solidões urdidas, sem pé nem cabeça

Foi aquela utopia afoita redesenhar a arquitectura
Da felicidade repousando entre os destroços de um
Sorriso perdido, contrito…tão substancialmente furtivo

A alma flanando, deixa um clamor de lamentos instintivos
Varrendo todo o horizonte da esperança onde se despe e despede
Aquele poente imortalizado numa lágrima desabrigada…supurativa

Em nome deste sonho desapropriado, inacabado, desabotoei toda
A vastidão de palavras acomodadas nas layers coloridas desta escravidão
Povoando a leda manhã acantonada nos bastidores da minha solidão

FC

Solitária solidão

Balouçam os ventos matizando a paisagem
Revigorante nesse teu olhar penetrante assim soluçando
Num vaivém tão refrigerante bebendo cada palavra
Ardendo no divã deste silêncio subtil e devorante

E enquanto me velavas os sonhos eu despertava para
O tempo bebendo-te em cada melodia sussurrante almofadando
A solidão estendida no tapete da manhã solenemente vergada
A este destino encharcado de desejos petulantes

Desfiz os nós daquelas ilusões que manufacturei em noites
Vestidas de lamentos impactantes enquanto a noite sobressaltada
Excitante, regurgitava todos os medos explícitos, aviltados e expectantes

Antevi depois aquele momento onde o tempo lograria as memórias
Equidistantes sepultando o silêncio desencadeado, quebrantado,cerrando
Os estores a este sonho errante, ornado com elegância grácil e translumbrante

FC

A promessa

Consumada a despedida fito o horizonte quedo onde o
Poente agora se expõe ígneo e ledo embelezando a matiz
Estética Atlântica onde no teu Pacífico olhar me acomodo qual
Sinfonia de sorrisos despertando excepcionais e quânticos

Perdi-me no tempo entre dois dedos de conversa
E aquele eloquente momento prometido,gemendo esquivo
Oportunista e subversivo deixando até o silêncio
Indisponível perante o réquiem de desejos mais impulsivos

E foi assim perante a madrugada lasciva que nos atulhámos
De beijos e abraços desesperados e receptivos ficando o tempo a
Putrefazer-se na solidão que agora cavalga fugitiva…a atrever-se, curando
Cada miragem que tenho do ser a exaltar-se e de ti…freneticamente apossar-se

Foi assim que seduzi cada molécula de prazer intemporal
A acender-se perante nós, implorando por uma desenfreada carícia
A apropriar-se do suave silêncio apaziguando o amor a suscitar-se
Esculpindo cada pingo de suor mergulhando despido neste sonho…a consumir-te

Foi promessa refinada num ténue suspiro ardendo insaciável para gáudio das
Paixões confessas…absolutamente impressas na alma até se escapulirem num
Obsessivo delírio fluindo devagarinho e sem pressas até à perfeita junção dos
Seres escrutinados, restituindo-se, assim…predestinados

FC

Este sentimento…

Assim madruga o tempo cinzelando a manhã que desperta
Congratulante e boquiaberta deixando perfumados olhares
Quase intocáveis sossegar a face meiga, de uma leve brisa,
Talhando o perfil imperativo de um olhar pungente e apelativo

Este sentimento espreme cada hora mais recatada
Deixa as manhãs prementes estregues ao orvalhado
Néctar da luz fustigando as sombrias e deslizantes solidões
Amarinhando pelo sótão do tempo reverberando energizante

Escorrega o silêncio no escorrega dos dias finais deixando
Minhas fantasias aromatizantes pernoitar no calado das ilusões
Mais profícuas e profundas ressuscitando a vida transbordando pela
Periferia da esperança exarada num cálice de impulsivas divagações

Este é o sentimento dos sentimentos domesticado pela memória
Tarada confinando todo silêncio ao perpendicular momento acostado
A uma saudade quase descarada deambulando nas imediações de
Uma hora qual unguento endodérmico massajando minh’alma contristada

A iminência de uma solidão tamanha cerca meu expropriado tempo
Onde amontoei o entulho de tantas memórias enclausuradas seduzindo
O ébrio sonho com um véu de palavras reflorestadas deixando cada lacuna
Da existência afável nutrir-se de nós, assim cuidadosamente complementadas

FC

Extra sensorial

Serenos e clementes se enlaçam os olhares
Excursando enamorados,vibrantes e galantes
Soletram um arfante pestanejar que chilreia
Em meditações tão expressivas e acutilantes

Soltei as amarras do tempo libertando cada hora
Oscilante que agita este destino insurgente bebericando
Minha esperança em goles de solidão tão relutante
Qual ilusão peregrinando ao sabor de uma amor tão impetrante

Deixei coagular o silêncio que vadiava de artéria em artéria
Até nutrir e consolar de gracejos cada aurícula bombeando o amor
Neste coração enfartado de desejos primaciais esbravejando,
Esbravejando em brados frugais escaldando velados e quase ditatoriais

É tempo de partilhar cada capítulo deste sonho oscilando
Entre palavras triviais, onde arrumo as memórias cordiais
Deixadas pelas pegadas das ternas afeições sensoriais
Renascendo entrelaçadas nesta quietude avassaladora e tão crucial

FC